segunda-feira, 5 de maio de 2014

A COBIÇADA LADY LINDSEY- BARBARA CARTLAND

Amanhecia em Londres. Escondida na carruagem, trémula de susto e ansiedade, Arilla observava os dois homens que iam bater-se em duelo por sua causa. Um deles a queria para amante; o outro a defenderia até a morte. Por um dos dois batia alucinado seu coração de mulher apaixonada. O mediador começou a contar... um, dois, três... dez passos. Fogo! Ao abrir os olhos, um grito escapou-lhe da garganta. Quem estaria caído ensanguentado no chão? 

Trecho do livro:
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 - Ninguém dirige melhor do que você, Harry. Além disso, nossos visitantes não possuem animais tão fogosos. Reparando no ricto nervoso nos lábios dele, ela continuou: - São seus? A resposta veio, como esperava: - Por um dia. São emprestados, como de costume. - Oh, Harry! Você está em má situação? - Como sempre. Juntos, entraram no vestíbulo cujo aspecto era mais desolador do que ele imaginara. Chegaram à sala de estar, que um dia fora bonita, mas, como todo o resto da casa, estava tristemente descuidada. As cortinas se apresentavam descoradas, o estofamento dos sofás rasgados, os tapetes ralos e as paredes com marcas de quadros ou espelhos, antes ali dependurados. Harry Vernon pôs o chapéu e as luvas de montaria sobre uma pequena mesa e alisou os cabelos com as mãos. Em tom de lamento disse: - Sinto muito, Arilla, pela morte de seu pai. Sem olhá-lo ela suspirou. - Eu e papai sempre fomos muito unidos, Harry; nossa amizade foi a melhor coisa que me aconteceu! - disse, saudosa. 1817 Arilla olhou ao longo do malcuidado caminho de acesso à velha residência. Já ia voltando para a casa, desalentada, quando vislumbrou qualquer coisa a distância. Em um segundo constatou serem cavalos e deu um grito de alegria. Para poder ver melhor, subiu os degraus cobertos de limo da corroída escada de pedra que dava para a entrada principal. Era uma carruagem que se aproximava, puxada por uma parelha de alazões, idênticos em porte e cor. Quando chegou mais perto, ela identificou, com alegria no coração, o condutor da elegante viatura, que, com um gesto largo e cavalheiresco, tirou o chapéu para cumprimentá-la. - Harry! - exclamou ela. - Eu sabia que você viria! O homem entregou as rédeas ao cavalariço que, abandonando o assento descoberto do carro, já tinha pulado ao chão. A carruagem era do tipo faetonte: alta, de quatro rodas e de fino acabamento. Porém não era tão veloz e eficiente quanto o último modelo introduzido na Inglaterra, pelo príncipe regente. Contudo era mais leve, com melhor molejo e bastante rápida em vias não lamacentas. Sem pressa, o cavalheiro circundou o faetonte e, antes de subir os degraus, lançou um olhar para a casa. Havia uma expressão de desprezo naquele semblante formoso e másculo. Era de se esperar, pois o solar estava em um estado lastimável, com pedras precisando de reparos e muitos vidros quebrados, pedindo substituição. As trepadeiras, havia muito tempo sem poda, emaranhavam-se desordenadamente, quase cobrindo as vidraças embaçadas das janelas. Harry fez um ar de desgosto e subiu as escadas, dizendo para Arilla: - Exatamente duas horas para chegar até aqui; devo ter batido um recorde, a não ser que alguém tenha levado menos tempo.

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