“O seu interesse, por mim, uma simples criada, senhor marquês, é chocante”, declarou Nenta, os olhos brilhando de agressividade ,”ainda mais que o senhor é um homem casado!” O jovem marquês sorriu, divertido, e replicou “Se quer mesmo fazer o papel de tímida donzela, não posso impedi-la, mas você também não pode me impedir de tentar descobrir seu passado. E eu vou desvendar esse mistério, porque você é minha prisioneira… prisioneira do meu amor!”. Nerita queria fugir, mas como escapar do círculo de fogo que a consumia nas chamas dessa louca paixão?
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Trecho do livro:
— Tudo? — Sim, as casas e tudo o que elas contém, o que restou de sua fortuna, suas roupas e tudo o mais que ele possuía. — Não me parece justo… — Não lhe parece? E se acha injusto, como imagina que sua tia e eu nos sentimos? Afinal de contas, gozamos de uma certa posição na sociedade e na qualidade de chefe da família sinto-me abismado. . . sim, abismado é a palavra correta… diante do modo como seu pai nos lançou no descrédito. — O senhor sabe muito bem que papai não agiu com essa intenção. — Imagino que não, mas ele criou uma publicidade muito negativa em torno de seu nome, devido à maneira pela qual dilapidou sua imensa fortuna. Fracassar dessa maneira é uma lição para todos aqueles que jogam, quer se trate de cartas de baralho ou de especulações na bolsa. Nerita manteve-se em silêncio, por demais atônita diante do que tinha acontecido nas duas últimas semanas para apresentar qualquer defesa em relação a seu pai. Claro que ele não tinha tido a intenção de provocar aquela tragédia. Mas era um traço muito característico de sua personalidade não enfrentar os fatos. Em vez disto, suicidou-se dramaticamente, deixando uma carta em que se desculpava perante todos que haviam confiado nele. Para sua filha, destinou uma carta muito especial. Quem teria imaginado, sequer por um momento, que o Intrépido Dunbar, como era conhecido em todas as bolsas de valores do mundo, passasse por um desastre financeiro em uma fase em que a Inglaterra gozava da maior prosperidade?...
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