sábado, 3 de maio de 2014

A CASA ENCANTADA- Barbara cartland

Fábia ajoelhou-se no chão, de mãos postas e cabeça baixa. Escondido na semi-escuridão do quarto, o duque a observava, fascinado. De repente, notou que estava envolta em uma luz estranha, que não vinha da Lua. Era qualquer coisa… sobrenatural! E então ele compreendeu tudo o que, teimosamente, tinha tentado negar. Como Fábia costumava dizer, havia uma espécie de magia, naquela casa. As vibrações de seus antepassados que moraram ali continuavam no ar. E essas forças misteriosas é que o haviam atraído, depois de tantos anos de ausência, para encontrar aquela mulher que lhe estava destinada…

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Trecho do livro:


 1842 O camareiro-mor estava nervoso. O duque viu-o mexer no mata-borrão sobre a escrivaninha e depois endireitar o tinteiro e mudar de posição um abridor de livros. Finalmente, o homem disse: — Creio, Vossa Graça, que tem uma idéia do que vou lhe falar. — Nem por sombra! — respondeu o duque. Estava sentado confortavelmente numa cadeira, diante da escriva-ninha, de pernas cruzadas e parecendo completamente à vontade. O camareiro-mor olhou para ele e achou que era de fato um dos homens mais bonitos que conhecia. Não era de estranhar que sua reputação com as mulheres fosse tão má, a ponto de já ter chamado a atenção da rainha. Mas, como o duque se comportava sempre com a maior correção, tanto no Palácio de Buckingham quanto no Castelo de Windsor, não havia nada que a rainha pudesse dizer ou fazer. Apesar disso, como ninguém podia evitar que as mulheres mexericassem, quer vivessem num chalé ou num palácio real, os falatórios sobre o duque vinham aumentando a cada ano, agora ganhando proporções que tornavam inevitável um problema mais sério. Era verdade que Sua Majestade tinha dado ao duque mais liberdade do que o costume, porque gostava de homens bonitos. Além do mais, de certo modo, ele se parecia com o querido Alberto, o marido da rainha. Mas isso só na aparência; em todo o resto, os dois homens eram opostos. Rígido, consciencioso, fazendo questão de que o protocolo fosse sempre obedecido, o príncipe Alberto era completamente diferente do terceiro duque de Ilminster. Desde que saíra de Eton. o duque gozava a vida ao máximo, causando um escândalo atrás do outro, todos envolvendo mulheres bonitas. Nas corridas, era um esportista amado pelas multidões, que jamais se teria desviado das regras rígidas do turfe, como também nunca teria trapaceado no jogo de cartas. Mas, no que dizia respeito às mulheres, essas regras não se aplicavam. Os maridos cerravam os dentes, furiosos, quando ele entrava num salão de baile; as mães tratavam de afastar as filhas, com o instinto protetor de uma galinha diante de uma raposa. Não seria necessário dizer que o duque não se interessava por moças solteiras, e sim, apenas pelas beldades atraentes, sofisticadas e espirituosas que o divertiam durante um certo tempo, até seu interesse ser despertado por um novo rosto ou pelas curvas de um novo corpo.

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